terça-feira, 6 de junho de 2017

Brasil – Economia Colonial (3) – mineração (versão ampliada)

1-    Descoberta das minas.
Além das expedições oficiais, que buscavam riquezas minerais no interior do Brasil, muitas expedições particulares cruzaram a América do Sul tentando a sorte.
A maioria dessas expedições particulares partia da vila de São Paulo, na Capitania de São Vicente. Geralmente descia o rio Tietê para chegar ao rio Paraná e seus afluentes. Usavam canoas e chagavam aos mais diversos pontos do território.
Essas expedições eram chamadas bandeiras e seus organizadores ficaram conhecidos como bandeirantes.
O objetivo era encontrar pedras e metais preciosos. Mas, frequentemente, faziam caça aos índios ou aceitavam contratos com autoridades para combater índios rebeldes ou negros quilombolas (alguns grupos se especializaram em uma dessas modalidades).
Como os bandeirantes não respeitavam os limites estabelecidos pelo Tratado de Tordesilhas, contribuíram com a expansão do território brasileiro em direção ao centro Oeste e ao Sul.
Os bandeirantes encontraram as grandes jazidas de ouro, no final do século XVII, na região que passou a ser conhecida como Minas Gerais. Logo a produção cresceu e chamou a atenção de muitos aventureiros que chegaram de Portugal e de outras regiões do Brasil. Os bandeirantes paulistas apelidaram aos aventureiros de Emboabas. Os dois grupos (bandeirantes paulistas e emboabas) entraram em conflito pela posse das minas. Foi a Guerra dos Emboabas (1708 - 1709).
Os bandeirantes foram derrotados e retiraram-se da região. Foram ainda mais para o interior, para o centro-oeste, e encontraram ouro em Goiás e no Mato Grosso.
2 – Estruturação administrativa
A produção de ouro não parou de crescer até meados do século XVIII. Por isso, as autoridades portuguesas criaram estruturas de controle e de arrecadação de impostos.
Quem encontrava ouro deveria comunicar às autoridades, que dividiam as terras ao redor do local da descoberta em lotes (chamados datas), distribuídos por sorteio a quem comprovasse ter escravos para explorar a data a ser recebida.
Para aumentar o rigor na arrecadação do principal imposto, o “Quinto”, foram proibidas as negociações com ouro em pó ou em pepitas (formas em que o ouro era encontrado na natureza). E, para completar, foram criadas as Casas de Fundição1, onde todo o ouro era derretido, retirado o valor do imposto (Quinto) e transformado em barras (barras quintadas2).
Os mineradores da região se revoltaram e tentaram forçar o governador da capitania a acabar com as Casas de Fundição. Foi a “Revolta de Vila Rica” (ou revolta de Felipe dos Santos). A repressão foi violenta. Um dos principais líderes da revolta, o minerador Felipe dos Santos Freire, foi preso e condenado à morte pelo Enforcamento.
3 – O destino do ouro do Brasil
A produção de ouro no Brasil, durante o século XVIII, foi muito maior do que a produção de ouro da América Espanhola toda, durante a fase colonial inteira. Mas, apenas pequena parte dessa riqueza ficou no Brasil. Quase sempre para construir igrejas (época do barroco mineiro de aleijadinho).
A maior parte do ouro foi para Portugal, embora não tenha ficado por lá. Grande parte deste ouro foi usado para pagar às importações de Portugal. Eram manufaturas inglesas. Isso foi resultado de um tratado de comércio firmado entre portugueses e ingleses, que se mostrou muito favorável à Inglaterra (o tratado de Methuen - 1703).

4 – Distrito Diamantino

No local onde atualmente encontramos a cidade de Diamantina, em Minas Gerais, existiu um arraial chamado Tejuco. As autoridades portuguesas demarcaram a área ao redor do povoado do Tejuco e estabeleceram uma administração rígida, que controlava a entrada e a saída de pessoas e de cargas. Tudo isso devido a produção de pedras preciosas, especialmente diamantes, que acontece naquele local.
O governo português criou a função de Contratador, que era um homem que centralizava o comércio de pedras. Na época em que o contratador era o português chamado João Fernandes, surgiu a história da famosa escrava Chica da Silva. Ela vivia em grande luxo e riqueza por ser amante do Contratador.

OBS - Não podemos esquecer que a maior parte da mão de obra empregada na mineração era escrava de origem africana.
Vocabulário
1 – Casas de Fundição – instutuições oficiais, criadas pelo governo português, que eram encarregadas de demarcar as áreas de mineração, distribuir Datas, derreter o ouro para transforma-lo em barras e arrecadar o principal imposto sobre o ouro: o Quinto.
2 – barras quintadas – barras de ouro do minerador que já pagou o “Quinto”. Tinham numeração e os símbolos da realeza portuguesa impressos em relevo.

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