terça-feira, 6 de junho de 2017

Brasil – Economia Colonial 1 - versão ampliada

                     1 – Introdução

Quando os portugueses começaram a explorar o território correspondente ao Brasil atual queriam encontrar metais preciosos e pedras preciosas.
A expansão marítima e comercial europeia aconteceu em época em que a produção de metais preciosos (ouro e prata) na Europa estava em decadência (esgotamento das minas). Mas o dinheiro (moedas) era fabricado sempre com ouro ou prata. Por causa disso, os metais preciosos ficaram raros e muito desejados (por isso eram ainda mais valiosos). Um dos principais objetivos da expansão marítima era encontrar minas de ouro e prata em outros continentes. Esta busca ficou conhecida, em alguns casos, como “febre do ouro”.
O continente americano foi dividido pelo Meridiano do Tratado de Tordesilhas (1494), entre os reinos de Portugal e da Espanha. Poucos anos depois os espanhóis encontraram grande quantidade de meteis preciosos em seus territórios na América. Os portugueses concluíram que em sua parte da América (Brasil) também deveria haver metais preciosos.
Desde o início das explorações do litoral do Brasil foram enviadas expedições oficiais (Entradas) para tentar encontrar metais e pedras preciosas no interior do país. Porém, nenhum achado significativo aconteceu até o final do século XVII.
2 – Desenvolvimento econômico na fase colonial
Os exploradores portugueses passaram a experimentar outros tipos de produção enquanto as terras do Brasil não mostravam os metais e pedras preciosas escondidos na mata do sertão1 do país.
(A) Pau-brasil.
Na Europa já era comum usar a madeira desta árvore para fazer tingimento de tecidos (vermelho), era uma especiaria trazida das Índias. Os exploradores portugueses reconheceram que no litoral do Brasil havia o mesmo tipo de árvore.
O pau-brasil é encontrado nas áreas de Mata Atlântica, entre o Rio Grande do Norte e São Paulo.
A produção era resultado de extrativismo. A mão de obra era do índio, em regime de escambo: recebiam bugigangas (espelhos, contas de vido, facões, machados, canivetes, etc.) em troca da extração da árvore.
Toda a produção era enviada para a Europa.
(B) Açúcar
O açúcar de cana era uma das especiarias orientais mais valiosas na Europa. Devido a isso, o governo português criou um plano de produção de açúcar. Primeiro nas ilhas portuguesas do Atlântico (Açores, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe), depois nas terras do Brasil.
Devido a isso foram distribuídas terras como Capitanias Hereditárias e, em cada uma delas, foram doados muitos latifúndios2 (sesmarias). O objetivo era o desenvolvimento de grandes plantações de cana-de-açúcar. A forma desta produção é conhecida como plantation3 (ou plantagem).
Os portugueses reinventaram a escravidão ao usarem na plantation mão de obra indígena e africana. Como a população indígena no Brasil era insuficiente para os planos portugueses, desenvolveram a migração forçada de trabalhadores africanos (tráfico de escravos).
A estrutura de produção também contava com a manufatura de açúcar (a cana era processada para a obtenção de açúcar), nos engenhos4. Por tanto, podemos dizer que havia a agroindústria açucareira.
Devido a precariedade dos transportes da época, a produção não podia acontecer muito distante dos portos de exportação, já que quase tudo era embarcado para a Europa.
As principais características da sociedade açucareira, que se desenvolveu no Brasil, eram: latifundiária, escravista, patriarcal e rural. Quanto à cultura, os portugueses impuseram as artes, música e arquitetura barrocas. Mesmo assim, muitos elementos culturais indígenas e africanos merecem destaque.
(C) Pecuária Nordestina
O rebanho bovino, que era usado como animal de tração (mover arados, moendas e carros-de-bois), multiplicou-se através da reprodução. Como a conciliação entre a criação de gado e as plantações de cana-de-açúcar não era desejada, aconteceu a interiorização da criação do gado.
Ao transferir a criação de gado bovino para o interior, aconteceu a especialização. O objetivo principal era a produção de couro para exportação. A carne era pouco importante devido a pequena quantidade de consumidores (população urbana pequena). Essa prática mudou quando ocorreu o desenvolvimento da mineração (Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso), quando os nordestinos passaram a vender o gado para os consumidores destas áreas.
A criação de gado era itinerante, pois cada rebanho circulava por uma área relativamente ampla. Não havia propriedade da terra, nem limites fixos. Era uma forma de atenuar a escassez de vegetação que alimentasse o gado, devido ao clima semiárido do sertão nordestino.
Os vaqueiros do nordeste colonial eram trabalhadores livres, de qualquer origem ou etnia, pagos com gado (acordos entre o dono do rebanho e o vaqueiro).
(D) Pecuária Sulina
A expansão pecuarista em direção a atual região sul do Brasil causou perdas territoriais à Espanha, no continente americano (ultrapassando os limites do Meridiano de Tordesilhas).
A pecuária encontrou no sertão sulista campos muito apropriados para pastagem bovina. O desenvolvimento desta atividade foi acelerado pelo desenvolvimento da mineração. Melhor dizendo, a pecuária sulista surgiu para abastecer aos consumidores de carne de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, durante o século XVIII.
As fazendas usavam mão-de-obra familiar ou trabalhadores livres. E a carne produzida era de melhor qualidade do que a que saía da pecuária nordestina.
(E) Drogas-do-Sertão
A atividade extrativista florestal na Amazônia desenvolveu-se a partir do século XVII. A maior parte da região era domínio espanhol. Os portugueses avançaram explorando as riquezas que recebiam as denominações de especiarias da Amazônia ou drogas-do-sertão (guaraná, castanha-do-pará, cacau, baunilha, ervas medicinais, ervas aromáticas, alguns tipos de peles, vários tipos de penas de aves, etc.).
A maior parte do trabalho de coleta era realizado por índios aculturados (catequizados em missões religiosas católicas).
Temendo a cobiça francesa, inglesa, holandesa e espanhola, o governo português investiu na construção de uma extensa rede de fortificações e a manutenção de guarnições militares (total de 60 fortes).
Vocabulário
1 – sertão – refere-se a uma região afastada dos centros urbanos ou do litoral, distante da ou com pouca "civilização”.
2 – latifúndio – propriedade rural de grande extensão.
3 – plantation – forma de produção rural baseada no latifúndio e na monocultura, direcionada ao abastecimento do mercado externo (exportação). Pode ser usada a versão em língua portuguesa: plantagem.
4 – engenho – é a parte industrial da agroindústria açucareira. Moía a cana-de-açúcar e transformava o caldo em açúcar mascavo.

Um comentário: