segunda-feira, 28 de março de 2016

Nova República

     Será nova ainda?
 
     A fase do "período republicano" em que vivemos é frequentemente chamada de "Nova República". Mas, com tudo o que tem acontecido ultimamente, será que ainda é correto chamá-la "Nova"?
 
     Por que essa denominação foi usada?
 
     É fácil explicar. Depois de um longo período em que os brasileiros viveram sob governos autoritários, liderados por generais que se revezavam na Presidência da República, havia grande ansiedade popular por uma fase nova, sem censura aos meios de comunicação e com escolha livre e direta de representantes e governantes (eleições).
     Em 1982 tivemos escolha eleitoral direta para governos estaduais. Isso aconteceu depois de um longo tempo em que o país conviveu com eleiçoes indiretas, controladas e viciadas para escolher governadores. Foi um importante passo para a ansiada "redemocratização" do país.
 
     Entretanto os líderes dos partidos de oposição aos governos militares tinham pressa, desenvolveram uma campanha política, que ficou conhecida como "Diretas Já" (Campanha das Diretas). Foi uma tentativa de pressionar o Congresso Nacional a aprovar uma mudança na constituição que recriaria a eleição direta também para Presidente da República. Entre 1983 e 1984 a população experimentou um crescente envolvimento na campanha pelas diretas. Grandes multidões se reuniram em comícios, em várias cidades. O objetivo era pressionar o Congresso a aprovar a mudança.
     No dia da votação no Congresso, a oposição conseguiu a maioria dos votos, mas isso não foi o suficiente. As alterações no texto constitucional exigem 2/3 (dois terços) dos votos no Congresso.
     Após o fracasso da campanha pelas eleições diretas surgiu uma outra possibilidade. A estratégia foi lançar um candidato de oposição com chances de derrotar o candidato do governo, mesmo nas eleições indiretas.
     O político escolhido foi o governador de Minas Gerais, Tancredo Neves. Ele derrotou o paulista Paulo Maluf e animou o Brasil com projetos e propostas bastante democráticas.
     Foi Tancredo quem passou a usar a expressão "Nova República" para a fase que começou após a sua eleição indireta. 
 
 
     Mesmo com a morte de Tancredo Neves (1985) antes de tomar posse, a redemocratização avançou no Brasil. Passamos a ter uma nova constituição, em 1988, no governo de José Sarney. Seguiu-se a eleição direta que escolheu Fernando Collor (1989), que sofreu afastamento por processo de Impeachment em 1992. Depois veio o governo Itamar Franco, que era o vice presidente de Collor, dando início ao Plano Real. Em 1994 foi eleito Fernando Henrique Cardoso, que foi reeleito em 1999. Luis Inácio Lula da Silva foi eleito em 2002 e reeleito em 2007. Por último, em 2010, aconteceram as eleições que levaram Dilma Rousseff a estar até o presente momento à frente do governo da república.
 
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     Nos últimos anos a estrutura política originária da redemocratização tem sofrido crescentes críticas e gerado grande insatisfação popular. Mas, para conhecer os momentos seguintes da história, precisaremos acompanhar no dia a dia, pois ela ainda está em processo de construção.
 
 
     Em aula, faremos exercícios com valor de pontuação para a 1ª Certificação: turmas 901 e 903, na 3ª feira (29/3); turmas 902 e 904, 5ª feira (31/3). Não se esqueça de levar o seu livro de História para consultas.
 
 
 

quinta-feira, 24 de março de 2016

História do tempo presente

             Chegamos ao final do "Ensino Fundamental" após cumprir uma longa caminhada escolar.
             Em nosso campo específico, as aulas de história, temos muita coisa para conversar. O programa de História para o 9º ANO mostra um roteiro de estudos que abrange eventos a partir do final do século XIX. O processo histórico deverá ser analisado por nós com base em fatos históricos nacionais (Brasil) e internacionais relacionados cronologicamente até o momento atual.
             O mais usual é darmos início aos nossos estudos desse ano de 2016 com os primeiros assuntos listados no programa. Mas estive pensando na riqueza do momento atual. Estamos vivendo em meio a uma sequência de acontecimentos de imensa relevância histórica, no Brasil e nas relações internacionais, hoje. Desse processo surgirá uma nova face para a humanidade. Tão diferente do mundo em que estamos habituados a viver que corremos o risco de não reconhece-lo, se nos distrairmos, se não acompanharmos as mudanças de perto.
              Minha proposta de início de estudo de história para 2016 é lançar mão de uma categoria crescentemente usada por historiadores: a "história do tempo presente". Com ela aplicamos os instrumentos de análise histórica para acontecimentos e processos do momento. A proposta é que sejamos analistas e personagens simultaneamente. Não seremos jornalistas, pois nossa intensão será avançar para além do relato e da descrição dos fatos.
             A tarefa não será fácil. Estaremos emocionalmente envolvidos. Correremos sempre o risco de atropelar a análise com o trem da opinião pessoal. Aí temos o maior desafio: não há nesse trabalho objetivo de convencimento de coisa alguma.
             O vosso professor de história, que fala através desse blog, não pretende fazer com que você pense igual a ele. O objetivo real é que você forme a sua própria opinião. Que domine o instrumental necessário para analisar a esse ou a qualquer outro momento histórico e conclua de acordo com a própria consciência.
             Imagino que deva ter muita infelicidade na pessoa que acredita ser sua amiga apenas quem pensa como ela. A beleza da humanidade está na diversidade de opiniões, comportamentos, cultura, gênero, etnia, religião, ... No convívio e nas trocas entre os diferentes.



Programa de História

Imperialismo e Primeira Guerra Mundial e Revolução Russa.

Mundo Entre Guerras e Segunda Guerra Mundial.

Brasil: Primeira República e Era Vargas.

Guerra Fria, descolonização e Mundo Pós Moderno.

•Brasil: de Dutra a Jango, governos militares e nova república. 

Veja uma reportagem recente de um jornal "on line".

 

Polícia Federal faz operação na casa do ex-presidente Lula, na Grande SP

                                       Folha de São Paulo      Poder          04/03/2016    06h23                                                                                        

             A Polícia Federal realizou na manhã desta sexta-feira (4) a 24ª fase da Operação Lava Jato no prédio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de seu filho Fábio Luís Lula da Silva – também conhecido como Lulinha.
             Essa fase da operação, batizada de Aletheia, apura se empreiteiras e o pecuarista José Carlos Bumlai favoreceram Lula por meio do sítio em Atibaia e o triplex no Guarujá. O ex-presidente nega as acusações.
             Em sua manifestação mais contundente desde o início da Lava Jato, a força-tarefa do Ministério Público Federal afirmou em nota que Lula é "um dos principais beneficiários" de crimes cometidos no âmbito da Petrobras.
 
 
 
 
 
 
 
       As partes destacadas no texto exigem de nós informações complementares. não tenho dúvida de que você leu e formou uma ideia do assunto tratado. Será que compreendemos direito? Sem conhecermos significados, motivos e importância de alguns desses destaques, corremos o risco de concluir errado, desenvolvermos opinião sem base na realidade.

       Vamos observar a esse outro texto jornalístico recente.

 Entenda a Operação Lava Jato, da Polícia Federal
DE SÃO PAULO      14/11/2014 09h49 ­ Atualizado em 22/01/2015 às 21h36

Com início em um posto de gasolina – de onde surgiu seu nome –, a Operação Lava Jato, deflagrada em março de 2014 e que já conta com sete fases, investiga um grande esquema de lavagem e desvio de dinheiro envolvendo a Petrobras, grandes empreiteiras do país e  políticos. Uma das primeiras prisões foi a do doleiro Alberto Youssef, 47. Criado em Londrina, foi vendedor de pastel e contrabandista de eletrônicos do Paraguai antes de aprender o ofício de doleiro. Foi preso nove vezes. Uma delas, pela participação no chamado caso Banestado, maior escândalo já investigado no Brasil sobre remessas ilegais de dinheiro.

        Três dias depois, houve a prisão de Paulo Roberto Costa, ex-­diretor de abastecimento da Petrobras. Costa era investigado pelo Ministério Público Federal por supostas irregularidades na compra pela Petrobras da refinaria de Pasadena, no Texas, em 2006. Ele passou a ser investigado pela PF após ganhar, em março de 2013, um carro de luxo de Youssef. Tanto Costa quanto Youssef assinaram com o Ministério Público acordos de delação premiada para explicar detalhes do esquema e receber, em contrapartida, alívio das penas.

         Em seu depoimento, o ex-­diretor da Petrobras afirmou que havia um esquema de pagamento de propina em obras da estatal, e que o dinheiro abastecia o caixa de partidos como PT, PMDB e PP.

        As denúncias oferecidas pelo Ministério Público Federal foram acatadas e a Justiça Federal tornou réus 39 pessoas. O juiz federal do Paraná Sérgio Moro é responsável pelas ações penais decorrentes da Lava Jato nos casos que não envolvem políticos que possuem foro privilegiado e, por isso, são investigados pelo Supremo Tribunal Federal. O magistrado é referência no julgamento de crimes financeiros.
 Editoria de Arte/Folhapress (...)    


             Novamente você pode observar os destaques no texto. A compreensão desses trechos ou palavras é exigência para que tenhamos boa interpretação das informações. 
             Para que todos nós possamos ter certeza de que compreendemos bem esse texto, vamos organizar um seminário.
             Dividiremos cada turma em equipes (grupos) de duas ou três pessoas. Sortearemos uma das palavras ou expressões para cada grupo (dia 15/3 - 901 e 903; dia 17/3 - 902 e 904). Os participantes do grupo devem realizar pesquisas sobre o seu tema, usando a internet. O seminário tem como objetivo a troca de informações pesquisadas e a socialização do conhecimento na turma. Apresentação nos dias: 19 e 22/3 - para 901 e 903; 19 e 24/3 - para 902 e 904).


Seminário

                 Grupos de três (3) ou quatro (4) participantes.
          Temas:
•Operação Lava Jato
•Petrobras
•Ministério Público Federal
•refinaria de Pasadena
•Financiamento de campanha para partidos políticos
•Justiça Federal
•juiz federal do Paraná Sérgio Moro
•foro privilegiado
•Supremo Tribunal Federal
•Polícia Federal
•ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
•Operação mãos limpas - Itália

        Recentemente uma comparação tem recebido destaque na mídia. A relação dos acontecimentos, que mexem atualmente com o Brasil,  com o complicado processo ocorrido na Itália, durante a década de 1990, conhecido como "Operação Mãos Limpas".

        Assista ao vídeo da  reportagem de um telejornal a respeito desse caso ocorrido na Itália.

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             Manifestações do povo nas ruas

             Acompanhamos concentrações de gente nas ruas, em grande quantidade, em diversas cidades brasileiras, em manifestações políticas: no dia 13/ 3, pedindo o impeachment da Presidente Dilma (entre outros temas), e no dia 18/3, defendendo a mesma Presidente e seu partido político (entre outros temas).
             Esse tipo de movimentação política com maciça participação popular tem acontecido com relativa frequência nas ultimas décadas, no Brasil. Entretanto, o formato e os motivos variaram.
             Em 2013 as cidades brasileiras viveram uma grande onda de protestos e manifestações de rua. No início pareciam centrar-se nas reclamações contra os reajustes dos preços das tarifas de ônibus urbanos. Porém, a movimentação atacou a muitas questões que incomodavam a população.
             O vídeo seguinte mostra um pouco da agitação daquela época.


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             Recuando bem mais no tempo encontramos as memórias das manifestações populares de 1992. Nessa época o objetivo era o de retirar Fernando Collor de Melo da Presidência da República. As acusações de uso indevido das verbas de campanha política deram início aos protestos. Várias outras questões e acusações se juntaram a isso. A mobilização popular só parou quando o processo de impeachment chegou ao final. Collor foi substituído pelo vice presidente: Itamar Franco.
             As imagens do próximo vídeo mostram o fenômeno dos "Caras Pintadas" nos protestos de rua.



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             Se recuarmos um pouco mais no tempo chegaremos a 1993/1994. Era a época do general João Figueiredo liderando o governo. Foi a última fase do grupo que dominou a política brasileira a partir do Golpe de Estado de 1964.
             Nessa fase aconteceu uma série de grandes comícios e manifestações, em várias cidades, pedindo a aprovação no Congresso Nacional de uma proposta de emenda constitucional. O objetivo era ter o direito a eleições diretas para escolha do Presidente da República. Naturalmente que, ao reunir grandes multidões, as manifestações protestaram contra a falta de liberdade política, entre outros temas.
             O vídeo destaca o aniversário de 30 anos do fim do regime político liderado por militares no Brasil (reportagem veiculada em 2015).


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             O ano de 1968 também foi muito tenso no Brasil. Após o general presidente Castello Branco ser substituído por outro general (Costa e Silva), ocorreu uma onda de protestos e manifestações nas ruas de algumas cidades. A motivação foi a quebra da promessa de que a sucessão presidencial aconteceria através de eleições. O destaque ficou para a chamada "Passeata dos Cem Mil".
             À onda de protestos e manifestações sofreu duríssima repressão por parte das autoridades. O que inclui todo o tipo de violência física promovida por representantes das autoridades.


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             Precisamos organizar um pouco as informações que já acumulamos até aqui. As manifestações de 2013 e as de 13 de março de 2016 podem ser agrupadas por mostrarem semelhanças inovadoras em nossa história recente. Elas não estão associadas a partidos políticos ou a grandes líderes políticos tradicionais. A principal estratégia usada para a convocação das manifestações foi a divulgação da ideia nas redes sociais. Além disso, nos dois casos ocorreram manifestações simultâneas (ou pelo menos no mesmo dia) em muitas cidades espalhadas por todas as regiões do Brasil.
             Nas outras manifestações Podemos verificar as convocações centralizadas em grupos de líderes políticos e partidos políticos conhecidos. Mesmo quando ocorriam em várias cidades, estavam distribuídas em datas diferentes, ao longo de um período em que foi feita a pressão desejada sobre as autoridades.